Fevereiro é um período que concentra campanhas de conscientização sobre doenças crônicas e saúde emocional. E isso não é coincidência. Nos consultórios odontológicos, o mês costuma registrar aumento na procura por atendimento por um motivo recorrente: bruxismo, dores faciais e alterações na articulação da mandíbula.
O corpo fala. E, muitas vezes, começa pela boca.
Ranger ou apertar os dentes, principalmente durante o sono, é mais comum do que parece. Estudos indicam que até 30% da população apresenta algum grau de bruxismo ao longo da vida, com picos em períodos de maior estresse. A questão é fisiológica e está diretamente associada à ansiedade, à sobrecarga mental e à má qualidade do sono. Não é um problema isolado: é reflexo direto do estilo de vida moderno.
O alerta é que os sinais iniciais quase sempre passam despercebidos. Dor de cabeça ao acordar, sensibilidade dentária, estalos ao abrir a boca, sensação de cansaço facial e desgaste do esmalte são sintomas clássicos. “O bruxismo costuma ser silencioso no começo e não se trata de uma doença – é uma liberação fisiológica do estresse do corpo e, por isso, pode acarretar inúmeros problemas. Muitas vezes, o paciente só percebe quando o dente já está fraturado, a dor se torna constante ou a articulação começa a falhar. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, explica a cirurgiã-dentista Dra. Simone Prada, especialista em DTM e dor orofacial.
Quando ignorado, o bruxismo pode avançar rapidamente. A longo prazo, pode provocar fraturas dentárias, retração gengival, perda irreversível de estrutura do dente e disfunções temporomandibulares (DTM). E o impacto vai além da estética: compromete mastigação, fala, sono e qualidade de vida.
O tratamento não é tão simples e vai muito além do uso da placa de proteção noturna, embora ela seja uma aliada fundamental para preservar os dentes. A abordagem eficaz envolve acompanhamento contínuo e, em muitos casos, atuação multidisciplinar, com suporte de fisioterapia, fonoaudiologia, além de apoio de profissionais da saúde mental.
“Faz parte, ainda, do protocolo da nossa clínica, ensinar aos pacientes uma neuromodulação do cérebro, que auxilia na diminuição da ansiedade. O bruxismo é um reflexo direto do que a pessoa está vivendo emocionalmente. Boca e mente estão conectadas. Não adianta proteger o dente se a causa continua ativa”, reforça a Dra. Simone Prada.
Por isso, essencial entender que dor não é normal. Se os dentes estão dando sinais, vale pedir ajuda. Cuidar do bruxismo é cuidar da saúde como um todo, com atenção, prevenção e olhar ampliado. Quanto antes o diagnóstico, menores os danos. E maior a chance de devolver conforto, função e bem-estar para as pessoas.
Dicas práticas: o que fazer para proteger os dentes e reduzir o bruxismo
✔ Observe os sinais do corpo
Dor ao acordar, dentes sensíveis e sensação de mandíbula cansada não são normais. Se persistirem, procure um dentista.
✔ Evite estímulos antes de dormir
Cafeína, álcool e uso excessivo de telas à noite aumentam a atividade muscular e pioram o ranger de dentes durante o sono.
✔ Use placa de proteção sob orientação profissional
Placas compradas sem avaliação podem piorar ainda mais o problema. O dispositivo precisa ser personalizado, com orientação profisssional.
✔ Tente reduzir a tensão no dia a dia
Atividades como exercícios físicos, respiração consciente e pausas na rotina ajudam a diminuir a sobrecarga muscular.
✔ Faça acompanhamento odontológico regular
Avaliações periódicas permitem identificar desgaste dental e alterações na articulação antes que se tornem irreversíveis.
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